sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A pequena ambulância que tentou


Eis senão quando, uma comitiva oriunda de Cascais faz anunciar a sua chegada com pompa e circunstância.
Bolama pára! Soam os tambores, dançam os Balantas.

Canta o trovador que ambulância nova emergirá da bruma para equipar o Hospital de Bolama, escoltada por um contentor carregado de livros que ornamentarão a nova Biblioteca Municipal de Bolama.

Foi difícil a atracagem. Foi muito, muito difícil. Quase uma hercúlea tarefa para o capaz comandante, e um suplício para os Tântalos de Cascais, que não viam utilidade para uma ambulância no fundo do mar. Curioso porque, com o abundante dinheiro disponível para a compra do ouro negro refinado que a fará mover-se pelas auto-estradas bolamenses, eu conseguia ver tal utilidade. O lodo é bastante liso e a maré-baixa fica sempre próxima do Zero Hidrográfico.


Estava então na altura de entregar as chaves, e de dar uma formação-choque sobre as funcionalidades do Bicho automático com coração de V8 a gasóleo. Mas rápido, para voltar a Portugal antes que mosquito pique!


 
Ah! E os livros? Bom, os livros já circulavam no Mercado do Caju no dia seguinte à partida da bem intencionada comitiva.

Ronda de Bolama

A ronda de Bolama correu sem sobressaltos nem um volume de trabalho exagerado. Bem me disseram que o mais complicado já tinha passado ficado para trás, na Ilha das Galinhas. Dei consultas nas tabancas de Madina, Caboupa Cabral e Wato, em unidades que em nada tinham a ver com as Galinhenses.

Deslocávamo-nos de jipe pelas estradas de terra crivadas de crateras que pareciam engolir-nos de um trago. Valia-nos a condução calma e responsável do Tio Alfa, cujo maior amor dizemos ser o jipe da AMI. Houve até quem aproveitasse a boleia de volta após as consultas, e que tivesse direito a devorar metade da minha sandes de atum ainda mais rápido do que eu!
Pelo caminho ainda nos fizemos amigos de uma família simpática. A matriarca tinha o tamanho da minha mão aberta, o que me surpreendeu, pois o célebre canal National Geografic sempre me disse que as maiores aranhas do mundo são tarântulas. Talvez as mais peludas e assustadoras sim... Mas a teia desta minha nova amiga tinha uns centímetros a mais do que a minha altura, e com certeza teria alguma dificuldade em libertar-me dela, julgando pela grossura dos fios.



Estou a escrever esta mensagem em diferido por falta de tempo, de luz e de internet, e talvez por isso sofra de alguma falta de condimento. But fear not, as new and exciting adventures will surely follow!