quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Dia D


D0 5OUT2011 - Descolagem de Lx 22h. Despeço-me das luzes portuguesas na ponta de Sagres. 
Do avião: escuridão total no solo. Chegada Bissau 1h20 hr local. Bafo quente e húmido à saída do avião,mas não tão forte como esperava, talvez pelos avisos que já levava. Fernanda (coordenadora local AMI), Pedro (tec. Desenvolvimento AMI) e Hugo (Cooperação Portuguesa) foram-me buscar ao aeroporto. 
Deixámos bagagem no hotel Solmar, onde iríamos pernoitar, e fomos à procura de algo para beber. Encontramos espelunca bafienta, onde um local bêbedo e falador nos conta que estudou na Faculdade de Letras de Coimbra. Cerveja Tuga em todo o lado, especialmente Cristal. Conversa torna-se mais política - está na hora de voltar. Pedro cai redondo na sua cama. Adormeço sem dificuldade.

D1 - Acordo encharcado em suor. Pedro apressa-se a sair para reunião no Ministério da Agricultura. Duche frio sabe-me pela vida.
Sou apresentado ao Mustafa (activista de saúde local AMI) que, dizem-me, será o meu braço direito, e Braima (marinheiro AMI).
Foto da Rua da Embaixada de Portugal
Delineamos plano para manhã atarefada: tirar fotos tipo passe - nao da pq n ha luz. Noutra loja na rua ao lado, explorada por um chinês, há luz. "15 minutos estão prontas, chefe". Próxima paragem: Consulado português fazer registo de entrada no país. Seguidamente, dirigimo-nos à CECOME para encomendar medicamentos. Não podemos levar hoje porque a responsável do armazém não está, e para os anti-maláricos é preciso uma autorização do Gabinete Contra o Paludismo do Ministério da Saúde.
Já com fome, paramos para pizza. Temos à escolha para beber, entre outras, Super Bock, Caramulo, Sagres, Luso, Cristal, Cintra... De facto, o único vislumbre de África e não de um "Portugal Júnior" poeirento, esburacado e abafado, foi do Bairro do Bandim, que faço planos mentais para visitar quando voltarmos a Bissau.
Ministério da Saúde: Dr. Paulo do Gabinete Contra o Paludismo não se encontra porque está em conferência de imprensa. Balbucio desdenhosamente "Ah e tal... não pode ser porque não-sei-quem não está -- E volta? -- Não sei... -- E pode ligar? -- Não tenho o número...". Mas estes atendimentos infrutíferos não foram total perda de tempo... porque havia ar condicionado.
Decidimos ficar em Bissau mais um dia para podermos levar os medicamentos connosco para Bolama. O Mustafa diz-nos que há ruptura de stock de anti-maláricos na farmácia da AMI, e precisamos para levar para a Ilha das Galinhas na 2ª-feira.
Fim de tarde no lounge do hotel Ancar a aproveitar o AC e fazer contabilidade. A selecção de Angola cruza-se connosco no lounge; haverá Guiné-Angola no sábado.
Jantar - espetada de tamboril grelhado sobre conversa amena. De chorar por mais.
Pensamento no duche frio antes de dormir - "Farto de transpirar continuamente e do pó vermelho que assalta a faringe, Bissau não deixa uma boa impressão diurna. Ruas sem luz mas cidade mais agradável de noite. Curioso por conhecer Bolama".

Antes de mais...

...peço desculpa pelo estilo telegráfico que este blog terá. A Guiné-Bissau  é um país do 3º mundo, pelo que a minha ligação com o mundo exterior, nomeadamente por internet, é precária.
O blog será também muito desprovido de imagens, pois carregá-las seria uma tarefa hercúlia para esta nossa pen Orange.
No fundo, este meio de comunicação servirá primariamente para vos comunicar que me encontro vivo e de boa saúde repetidamente nos próximos meses. Pelo meio, encontrarão registos em jeito de logbook do que vai acontecendo por cá.
Saudosamente vos escreverei sempre que possível.