D0 5OUT2011 - Descolagem de Lx 22h. Despeço-me das luzes
portuguesas na ponta de Sagres.
Do avião: escuridão total no solo. Chegada
Bissau 1h20 hr local. Bafo quente e húmido à saída do avião,mas não tão forte como
esperava, talvez pelos avisos que já levava. Fernanda (coordenadora local AMI), Pedro (tec. Desenvolvimento AMI) e
Hugo (Cooperação Portuguesa) foram-me buscar ao aeroporto.
Deixámos bagagem no
hotel Solmar, onde iríamos pernoitar, e fomos à procura de algo para
beber. Encontramos espelunca bafienta, onde um local bêbedo e falador
nos conta que estudou na Faculdade de Letras de Coimbra. Cerveja Tuga em todo o
lado, especialmente Cristal. Conversa torna-se mais política - está na hora de
voltar. Pedro cai redondo na sua cama. Adormeço sem dificuldade.
D1 - Acordo encharcado em suor. Pedro apressa-se a sair para reunião no Ministério da Agricultura. Duche frio
sabe-me pela vida.
Sou apresentado ao Mustafa (activista de saúde local AMI) que, dizem-me, será o meu braço direito, e
Braima (marinheiro AMI).
| Foto da Rua da Embaixada de Portugal |
Delineamos plano para manhã atarefada: tirar fotos tipo passe -
nao da pq n ha luz. Noutra loja na rua ao lado, explorada por um chinês, há luz. "15 minutos estão prontas, chefe". Próxima paragem: Consulado português fazer registo de entrada no país. Seguidamente, dirigimo-nos à CECOME para encomendar
medicamentos. Não podemos levar hoje porque a responsável do armazém não está, e para os
anti-maláricos é preciso uma autorização do Gabinete Contra o Paludismo do Ministério da Saúde.
Já com fome, paramos para pizza. Temos à escolha para beber, entre outras, Super Bock, Caramulo, Sagres, Luso, Cristal, Cintra... De facto, o único vislumbre de África e não de um "Portugal Júnior" poeirento, esburacado e abafado, foi do Bairro do Bandim, que faço planos mentais para visitar quando voltarmos a Bissau.
Ministério da Saúde: Dr. Paulo do Gabinete Contra o Paludismo não
se encontra porque está em conferência de imprensa. Balbucio desdenhosamente "Ah e tal... não pode ser porque não-sei-quem não está -- E volta? -- Não sei... -- E pode ligar? -- Não tenho o número...". Mas estes atendimentos infrutíferos não foram total perda de tempo... porque havia ar condicionado.
Decidimos ficar em Bissau mais um
dia para podermos levar os medicamentos connosco para Bolama. O Mustafa diz-nos que há ruptura de stock de anti-maláricos na farmácia da AMI, e precisamos para levar para a Ilha das Galinhas na 2ª-feira.
Fim de tarde no lounge do hotel Ancar a
aproveitar o AC e fazer contabilidade. A selecção de Angola cruza-se connosco no
lounge; haverá Guiné-Angola no sábado.
Jantar - espetada de tamboril grelhado sobre conversa amena. De chorar por mais.
Pensamento no duche frio antes de dormir - "Farto de transpirar continuamente e do pó vermelho que assalta a faringe, Bissau não deixa uma
boa impressão diurna. Ruas sem luz mas cidade mais agradável de noite. Curioso por conhecer Bolama".