domingo, 9 de outubro de 2011

Bolama

Bom dia!

Hoje, o senhorio ligou o gerador da fábrica de gelo! Passo a explicar: não existe rede eléctrica em Bolama. A AMI tem o seu próprio gerador na casa de Bolama, mas raciona muito o seu uso. Liga-o 1 a 2h diariamente. Quer tudo isto dizer que hoje temos luz!

Para celebrar este acontecimento, vim aproveitar para usar o portátil sem a restrição do tempo de bateria. E como descobri que o Picasa faz um upload eficaz das fotografias directamente para o blog, decidi rechear esta mensagem com muitas imagens para vosso deleite!

Antes de tudo, uma visão deliciosa é acordar e ver andorinhas a voar dentro da sala, entrando por uma janela e saindo por outra. 
A qualidade da fotografia não é grande coisa, mas ela está lá.


Entretanto, tivemos de ir buscar o anti-malárico ao hospital de Bolama, que já estava finalmente disponível. Demorámos lá tanto tempo, à espera do responsável do depósito de medicamentos, que quando voltámos, já não havia luz...



Aproveitando o que resta de bateria do PC, vou juntar fotografias de Bolama, que já foi, em tempos, capital da Guiné-Bissau:
Há por todo o lado edifícios da era colonial abandonados e degradados. Este tem muito boa pinta...


No mercado, pode-se comprar algumas coisas como pão, ovos, raspadinhas de saldo para o cartão de telemóvel guineense

Bom dia, bom dia! Kumã bu mansi? E di kurpo, sta drêto?


 No que toca o hospital de Bolama, não aconselharia ninguém a recorrer aos seus serviços. A primeira coisa que notamos quando entramos no recinto, é a ausência de vedação ou qualquer tipo de limitação, pelo que nos deparamos com diversos animais a pastar.

O recinto é composto por 3 pavilhões (antigas casernas de complexo militar), sem comunicação directa entre eles, onde funcionam as unidades de internamento. À esquerda (não aparece na foto) ficam os gabinetes da direcção e o depósito de medicamentos. Não existe água canalizada nem rede eléctrica. A AMI tem um projecto de reabilitação deste complexo delineado para 2012.

Passo a apresentar o nosso "Quartel-General".

À esquerda, até à 5ª janela são as instalações da AMI, ao centro é um segmento desabitado da casa, e à direita (fora da foto) funciona a fábrica de gelo do nosso senhorio.


Como fica situada mesmo ao pé do porto de Bolama, temos esta vista da nossa janela:

 Ao fundo, vemos o canal de água salgada e fundo lodoso que nos separa do continente, e a região de S. João do outro lado, onde também vamos dar consultas.
Aqui mostro a gaiola onde eu durmo (à direita), dividindo o quarto com o Pedro. Como, apesar de tudo, não cheiramos mal dos pés, não é mau de todo. Do tecto pende uma ventoinha cuja função é apenas decorativa... 
Após a recepção oficial preparada pelo Pedro, com umas caipirinhas de aguardente de cana, jantámos sopa de manfafa e ainda tivemos tempo de encontrar um "bar" em Bolama que vende cerveja Cristal relativamente fresca. Das árvores, morcegos com um tamanho respeitável, emitem sons diferentes de tudo o que já ouvi
Ao centro: Coordenadora Local Fernanda, à direita: Técnico de Desenvolvimento Agrícola Pedro


Finalmente, como estamos em África, encerro com uma fotografia da minha companhia quando, fugindo da trovoada que desabou sem aviso, me sentei ao computador na esperança de ter internet, já que tínhamos luz. Mas não há cá milagres...



 Amanhã tentarei escrever porque na 3ª-feira partiremos para a Ilha das Galinhas, que é verdadeiramente isolada do mundo, e voltaremos na 6ª-feira.

P.S: Este post demorou uns bons 3 dias a acabar, entre cortes de energia, morte da bateria e internet guineense... Mas ao menos já me estou a tornar pro na "arte" do downscaling de fotos :)